Desesperada pelo equilíbrio – by Gabriela de Oliveira

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Frequentemente eu me pego pensando se um dia conseguirei equilibrar vida profissional e pessoal. Estou beirando os 30 anos, sou solteira e estou me estabilizando profissionalmente. Já comecei 2013 bem, assumindo a direção de redação da Duo. No entanto, não tenho tempo de sair para um encontro e muito menos teria para me dedicar a um namorado.

Fiquei mais preocupada ainda quando uma amiga bem casada disse: “Se até os 30 a gente não arruma ninguém, depois tem que se virar sozinha!” Isso quer dizer que eu estou na boca do gol e, em menos de um mês preciso dar um jeito nisso? Creio que não. Até porque estou feliz e satisfeita com tudo como está hoje. Ou conformada, sei lá

Na sexta-feira, Dia Internacional da Mulher, recebi um release sobre mulheres e mercado de trabalho. O título era: “Cresce o número de mulheres empreendedoras” e a chamada ressaltava que buscando equilíbrio (olha ele de novo), as mulheres estavam apostando em negócios próprios. Olhem um pedaço da matéria:

“De acordo com pesquisa realizada pela rede social Linkedin para marcar o dia internacional das mulheres, 63% das mulheres entrevistadas acreditam que encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional seja sinônimo de sucesso. Realizada recentemente com 5.300 mulheres de 13 países, a pesquisa revelou um aumento significativo na preocupação com a vida pessoal, já que há 5 anos o mesmo estudo indicou que 39% consideravam a questão uma prioridade. Uma das consequências desse fenômeno é a constatação do aumento do número de empreendedoras brasileiras.

Levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com dados da pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), que ouviu 10 mil pessoas em 2012, mostra que a taxa de empreendedorismo por oportunidade das mulheres subiu de 39% em 2002 para cerca de 65% no ano passado. Isso significa que mais mulheres empreendedoras têm buscado maneiras de fazer o que gosta, por meio da abertura de um negócio próprio por opção e menos por necessidade, como em caso de desemprego.”

Parei para refletir: eu já tenho meu negócio próprio e, ao contrário do que diz ali, não encontrei o equilíbrio. Trabalho pelo menos 12 horas por dia e, por mais que a empresa cresça, eu não tenho tranquilidade. O que falta? Talvez a tal sensibilidade:

“O aumento do número de empreendedoras, a busca por um estilo de vida que integre melhor carreira e família e a geração de negócios diferenciados têm delineado um cenário de protagonismo das mulheres brasileiras. Exemplo disso é a presença de mulheres em ambientes primordialmente masculinos, tal como era reconhecida a área de tecnologia há alguns anos.”

Um dia, conversando com um entrevistado, ele disse que o mercado é visto de maneiras diferentes entre os homens e as mulheres. A mulher, quando tem algum problema pessoal, tende a querer resolver aquilo. Já o homem é diferente. Os “machos” deixam mulher, filhos, cachorro, piriquito e papagaio em casa e vão para o emprego, onde se focam no trabalho.

Acho que tenho essa visão mais masculinizada do negócio. Por vezes fui trabalhar com alguma dor ou deixei bombas explodindo em casa. E isso me faz pensar: será que se eu tiver namorado, marido, filhos e afins, não desviarei um pouco o foco do trabalho? Talvez esse seja meu maior medo. Tenho a Erika (nossa colunista de cultura) como maior exemplo. Ela está grávida, mas trabalha normalmente. Assumiu uma editoria nova e está desempenhando um papel fenomenal. Não vê a hora de ver o rostinho do filho, mas se comprometeu a não nos deixar na mão.

Quem sabe ela encontrou esse tal equilíbrio, né?

UPDATE: um adendo que escrevi após a publicação.

“Eu percebo que existem pesos e medidas diferentes na própria sociedade. A mulher é vista de maneira diferente no mercado de trabalho, isso é fato. Canso de ver casos de homens que nos julgam por corrermos o “risco” de querer formar uma família ou se prender a um relacionamento. Eu mesma, enquanto chefe, sou muito cautelosa quanto a isso.
Homens que se dedicam ao trabalho são vistos como exemplos. Já se a mulher faz o mesmo, é tratada como uma louca, maníaca e egocêntrica. Já passei por isso várias vezes.
Acredito que hajam prioridades e uma hora pode ser que a de encontrar o tal equilíbrio chegue.
Como eu disse no post, pra mim não é um problema não ter um relacionamento. Lido bem com isso. Assim como sempre lidei com escolhas que fiz em prol da minha carreira, como abdicar de festas, fins de semana e afins para ficar presa dentro de uma redação. Mas percebo que sou vista como uma “mulher dragão” por fazer essa escolha. A sociedade se diz evoluída, mas continua com a cabeça conservadora.”

Beijos,

Gabi

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