Vivendo o passado no presente by Gabriela de Oliveira

Sou uma saudosista de nascença. Amo relembrar o que já vivi e adoro imaginar como seria se tivesse nascido em outras épocas. Penso em como seria me vestir em 1910, na maneira que “balançaria as franjas” na década de 20 e em como amaria os vestidos rodados dos anos 50.

Trabalhos do passado me inspiram muito. Tanto que antes de produzir um editorial ou criar uma peça de roupa, recorro ao meu arquivo intitulado “Antigas” na pasta de imagens do meu computador. Como uma amiga me disse: tudo o que poderia ser inventado, já foi feito. Só nos resta buscar inspiração naquilo e renovar. Eu chamo isso de processo F5. Pegamos algo que já existe e tratamos como se fosse novo.

Mas há um perigo: a renovação ser simplesmente uma cópia. Quantas “inspirações” já vimos por aí que, na verdade, não passam de cópias? Muita gente acha que inspiração é seguir à risca algo que alguém já fez, e esquecem de unir aquilo a um ar de renovação. O tal F5.

O processo F5 trouxe consigo a renovação de algumas profissões: a costureira hoje se forma e pode dar suporte de moda ao cliente. A cozinheira cria processos para deixar a comida mais chique e atrair clientes ditos exclusivos (prova disso é o brigadeiro, que virou artigo de luxo nos últimos tempos). Ainda tem o jardineiro que virou paisagista, o eletricista que virou técnico em eletrônica, o vendedor de roupas que virou consultor de moda.

Como li na revista Época dessa semana, hoje todos são criativos e fazem questão de serem tratados como tais. Não querem fazer trabalhos que não sejam restritamente ligados àquilo que estudaram e se ofendem se não recebem elogios rasgados. O que isso gerou? Uma falta de demanda técnica no mercado de trabalho. Ou vai dizer que hoje é tão fácil (principalmente em cidades grandes), de encontrar uma costureira, uma faxineira ou um jardineiro como antigamente? Trabalhos simples, e que não exigem a criatividade do profissional, é diminuído. Ninguém quer fazer.

O que mudou com essa elitização das profissões? Pouca coisa. A essência continua a mesma, mas a modernidade trouxe a especialização e o aperfeiçoamento dos serviços. E o mesmo deve ocorrer com as tais inspirações, afinal, o tempo trouxe a tal especialização ou não?

Continuarei me inspirando no passado, afinal, sem ele não será possível existir futuro.

Beijos,

Gabriela

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