Eu trabalho com moda, e daí? – by Gabriela de Oliveira

Quando eu comecei a trabalhar com moda (nem faz tanto tempo assim, foi em 2007), lembro que poucas pessoas entendiam esse meio. Quando dizia que era desse meio, instantaneamente me pediam se eu era modelo (como se eu fosse linda), ou então estilista. Jornalismo de moda era algo quase desconhecido por aqui.

Não preciso nem dizer o preconceito que já sofri, né? Muitas pessoas consideravam isso um trabalho de gente vazia, que não queria se esforçar e vivia no meio do luxo. Hoje ainda rola isso. Esses dias o Douglas me contou que na redação do jornal onde ele trabalha, os editoriais de moda produzidos por ele são vistos como um momento de diversão: Mas não é só escolher roupas, muitos indagam.

Pois eu lhes digo: é muito mais do que escolher roupas. Produzir um editorial de moda é escolher roupas, caçar modelos que se encaixem no perfil daquela produção, buscar locações, driblar surpresas do tempo (pela Lei de Newton, sempre resolve chover em dia de editoriais), escolher a maquiagem que deve ser feita, fotografar (o que não é menos que uma tarde), crepar sapatos, cuidar das modelos, morrer quando elas mancham a roupa com maquiagem, ou então acaba com a sola do sapato, e por aí segue a procissão.

Lembro da entrevista da Regina Guerreiro para a revista TPM de junho, na qual ela dizia que “a moda é uma filha da puta”. Ela ainda conta de quando a Costanza Pascolato (que eu amo enlouquecidamente), foi pedir emprego pra ela, com um baita anel de diamante e ela rejeitou a “candidata”, porque ela não teria perfil para produzir. “Produtora tem que jogar água na cara da modelo, passar rodo no chão. Com 50 anos eu ainda passava rodo no chão ajoelhada.”

Eu acho que é justamente o fato de as pessoas acharem que o meio da moda é puro glamour que nos irrita. Não ficamos apenas sentados, lendo revistas de moda, ou esperando uma nova tendência ser lançada. Corremos muito atrás, nos ferramos em produções, viramos noites pesquisando, passamos semanas planejando um shooting que na hora pode fracassar.

Mas uma coisa eu tenho a dizer: mesmo com todo o perrengue que a gente passa, quem trabalha com moda ama o que faz e não troca por nada. Porque, como sempre digo, moda é uma droga e isso é suficiente para não querermos largar ela.

Letras e números na estamparia – by Gabriela de Oliveira

Uma estampa que aparece em discretamente, em minoria, neste verão é a de letras e números. Não são frases formuladas ou códigos que digam alguma coisa, nem nada que faça muito sentido. São apenas elementos jogados na peça, de forma displicente.

Ela não é óbvia, e foge do comum. Só os mais ousados apostarão nela no primeiro momento e pode ser que não popularize com tanta facilidade. Nas passarelas, letras e números aparecem na coleção de verão do Alexandre Herchcovitch, e na da Gloria Coelho.

Na vida real, o ideal é que sejam usadas com descrição, em apenas uma peça, como blusa ou saia. Cuidado com o formato. Assim como qualquer estampa, ela pode te deixar maior ou menor. A regra é clara: círculos e formas arredondadas fazem o mesmo efeito que as estampas de bola, e linhas ampliam, como o listrado. Numa explicação mais simples: o 0, 6, 9, 8, 3 podem te engordar. Já o 1, 4 e 7 podem te favorecer.

E aí, vai apostar nessa estampa diferente?

Beijos,

Gabriela

Moda Mundo 28/07

No Moda Mundo dessa semana tem o desfile da Osklen na semana de moda de Nova York, que ocorrerá dia 11 de setembro, o trabalho da estilista Helen Rödel em parceria com a cantora Mallu Magalhães (que eu já falei aqui no It) e uma esponja que ajuda na hora da maquiagem, evitando que algum cantinho do rosto fique sem produto.

Ainda tem a coluna do Lajeado Street Style!

Beijos,

Douglas

Boy – by Erika Ceglia

E vamos lá pra mais uma parte dos meus achados nas minhas férias pela Europa. Conheci a banda Boy num pub. Confesso que quando lí no cartaz do anúncio o nome, pensei que seria uma droga de apresentação. Mas felizmente me enganei.

Boy é um dueto composto por uma alemã e uma sueca, que tocam um indie pop alegrinho, muito inspirado nos sons da Feist. Achei bacana principalmente pela apresentação delas se resumir apenas à dupla. Não tinha banda de apoio. E o som foi da maior qualidade.

Me surpreendi mais ainda quando, no fim da apresentação, ao tocar o single Little Numbers, a plateia acompanhou batendo palmas no ritmo, e alguns até cantavam junto. Coisa rara de se conseguir num pub onde as pessoas costumam desviar a atenção pra mil outras coisas.

Cheguei no Brasil, peguei meu bloco de anotações de bandas que curti por lá (acreditem, tem mais de 100), e logo pesquisei sobre Boy. No youtube está cheio de sons delas, alguns covers demais e algumas músicas do cd delas Mutual Friends, de 2011. Como sou sortuda e tenho os contatos certos, consegui o primeiro disco em MP3 (Valeu Brunão!).

Nunca faço isso, mas hoje vou deixar três sons pra vocês curtirem nesse começo de semana. O primeiro é o single que deu fama às meninas, o segundo Waitress, me encanta pela sonoridade e simplicidade, e o terceiro, Skin, é porque eu AMO acústicos.

Há semanas elas estão nos favoritos da minha playlist. Sonzinho feliz, que combina com dias ensolarados e alegra os acinzentados!

Beijo!

Erika

Bazar e exposição pro findi

Duas boas notícias em um post só. A Zoraia Lahude, estilista e consultora de moda que já apareceu por aqui, promove, pela primeira vez em Estrela (RS), o seu bazar de estilo, que oferece roupa boa por preços amigos. Será nesse domingo, das 10h às 20h.  Ainda vai rolar um sorteio especial para quem estiver presente: um look do bazar, uma produção de beleza e uma sessão fotográfica. Show, né?

O bazar será realizado no Studio Foto Ismael (Rua Ernesto Alves, 177), onde ocorre a mostra de fotografias comemorativa aos 10 anos de carreira do fotógrafo Ismael Diedrich. Nas fotos, ele usa parte dos figurinos do acervo da Casa Schinke. Confira abaixo a entrevista que fiz com ele, falando sobre a mostra.

  • Qual o título da exposição? Retratos – Studio Foto Ismael 10 anos
  • Qual o período que ela ocorre? De 16 a 31 de Julho de 2012 a exposição acontece nos ambientes de Studio Foto Ismael, que está localizado na Rua Ernesto Alves, 177, em Estrela. Após este período a exposição estará na Prefeitura Municipal de Estrela (2ºandar), e em Setembro em Garibaldi, na Vinícola Peterlongo.
  • Qual o tema? Como o título da exposição fala, é uma exposição comemorativa. A empresa está completando 10 anos! São muitos anos dedicados a registrar memórias de nossos clientes, e isso nos orgulha muito. E é uma exposição regional, pois embora estamos localizados em Estrela, atendemos clientes de toda a região, inclusive fora dela.
  • Por que a escolha do tema da mostra? Numa mostra fotográfica é o espaço ideal para expressar a arte que realizamos na sua mais pura forma. Por exemplo, todos os 10 retratos são em preto-e-branco. Não tem nenhum retoque de photoshop nas fotografias, são todas autênticas, mostram muito da personalidade de cada uma das pessoas reatratadas. E eu acho isso tudo muito lindo, para mim é assim que uma boa fotografia deve ser. São trabalhos totalmente autorais.
  • Como o tema foi desenvolvido? Quais as inspirações? Este tema sempre esteve em minha mente, mas assim como um bom vinho leva tempo para ganhar maturidade, a gente também leva tempo para aprimorar o nosso trabalho, as nossas técnicas e o nosso conhecimento. As nossas vivências e os contatos com os clientes no dia a dia são muito importantes. E a inspiração me vem muito do passado, gosto muito de História, tenho uma relação muito próxima com ela. Por isso eu convidei D. Gisela Schinke para entrar neste projeto, e compor os figurinos da exposição, porque para mim ela e o Dr. Werner Schinke são um exemplo de História viva aqui em Estrela. Eu me encanto toda vez que entro na casa deles, me parece um mundo paralelo, me inspiro muito naquela casa.
  • Quanto tempo levou produzindo? Desde o mês de Abril estamos produzindo este trabalho. E desde o mês de Maio estamos vivendo intensamente esta exposição. Apesar de ser um grande desafio, foi algo muito bom de fazer, me sinto realizado! Muitas reuniões com a estilista Zoraia Lahude foram feitas. Aliás, o trabalho da Zoraia foi fundamental, pois ela quem vestiu todos os nossos retratados com as peças da Residência Museu Schinke, fazendo o link com a atualidade.

Já tem programa pro fim de semana, né?

Beijos,

Douglas

Quanto vale uma Birkin? – by Gabriela de OIiveira

Há alguns dias li em um site que o estilista Marc Jacobs idealizou para a grife Louis Vuitton um sistema que permite a criação do próprio modelo de bolsa, na loja da marca. O detalhe é o tempo de espera, que chegará a seis meses.

Me questionei: seis meses de espera por uma bolsa? Que absurdo! Mas na sequencia lembrei quantos produtos têm filas de espera que chegam a levar mais tempo do que isso. Desde simples esmaltes da Chanel (que até conseguir acesso ao original, todas as marcas populares já lançaram uma versão e a ideia já está saturada), até as icônicas bolsas Birkin, da Hermès.

Estive uns dias em Nova York e no voo de volta pro Brasil li no site da Forbes um artigo interessante sobre a Birkin que bateu exatamente com o que eu penso. Ela é uma bolsa que, pelo status, valor e tempo de espera, deveria ser super exclusiva. Tanto que celebridades desfilam com orgulho seus modelos por ai (Victoria Beckham tem uma coleção com mais de 100, Kim Kardashian está quase empatando). Mas ao mesmo tempo, se várias mulheres que são consideradas reles mortais, também exibem as suas.

O título da matéria era “Has The Hermes Birkin Bag Lost Its Appeal?”, e questionava se, com toda essa popularização, o modelo inspirado na modelo Jane Birkin, correria o risco de perder o apelo devido à popularização. Para o autor, elas estão tão comuns quanto uma bolsa da Coach nos Estados Unidos, estão em todas as partes, de todas as formas, das mais simples às mais elaboradas, até cravejadas de cristais.

Em Hong Kong, a loja Milan Station diz ter um acervo maior de Birkins que a Hermès tem, que são vendidas até pelo dobro do preço de uma adquirida direto na loja oficial. O que ocorre é que as clientes compram direto na própria marca e revendem para eles. Como o modelo é escasso, elas ganham um bom valor na diferença. Bom negócio, não?

Para driblar a popularização (e se diferenciar das várias versões produzidas ao redor do mundo por outras marcas), a Hermès atende a pedidos de clientes que desejam materiais diferentes, sendo que nesses casos a bolsa pode chegar aos U$S 100 mil (olha o modelo de outro e diamantes da foto. Quer coisa mais excêntrica?).

É claro que o valor cobrado e a espera têm justificativa. O processo é feito na França, ao contrário de outras grifes, que produzem na China, por artesãos que passam por treinamentos de anos antes de colocar as mãos no valioso couro da marca, numa produção que pode levar de 48 horas a duas semanas para ser finalizado. Na matéria é destacado que, mesmo sem uma marca visível (ao contrário das Louis Vuitton e afins), a bolsa é desejo, e muito se deve ao processo de fabricação.

Isso sim é uma it bag, não?

Beijos,

Gabi