A (des)organização das temporadas de moda by Douglas Petry

O país que é a quinta economia de moda do mundo opta por fazer duas semanas de moda oficiais por temporada, enquanto as quatro primeiras, oficializam apenas uma. A história fica mais irônica quando se leva em consideração que as coleções apresentadas são muito mais inspiradas no que foi mostrado no exterior, do que coisas realmente criadas por aqui.

A falta de uma moda própria, realmente pensada aqui e produzida levando em consideração o perfil dos brasileiros, ainda convive com a falta de organização. Enquanto os grandes países da moda apresentam suas coleções com um bom tempo de antecedência (no fim de um verão, eles já estão mostrando o próximo), no Brasil tudo é apresentado só um pouco antes das coleções irem para as lojas.

Quer dizer… Ir para as lojas é força de expressão. Porque raramente o que é apresentado na passarelas, chega até o consumidor. Ao serem questionados, especialistas explicam que nos desfiles só são mostradas algumas ideias, que é de lá que sairão as cores, tecidos e algumas formas do que será vendido.

Puxei todo esse papo para falar sobre a novidade, divulgada ontem, pela Luminosidade, organizadora do Fashion Rio e do São Paulo Fashion Week. Quer ironia maior do que uma semana de moda ter apenas três dias? Falta de bom senso, talvez, mas isso ocorrerá por aqui. Como Paulo Borges decidiu que os eventos seriam bruscamente adiantados, para tentar se enquadrar no esquema do exterior (o que é uma coisa positiva), várias grifes caíram fora, alegando não conseguir se organizar para apresentar uma coleção em tão pouco tempo (sendo que o verão foi apresentado em junho).

Com isso, as semanas de moda nacionais foram reduzidas a três dias, devido a falta de grifes para desfilar. SPFW ocorrerá de 29 a 31 de outubro, e o FR, de 7 a 9 de novembro. Chegou-se a se falar num cancelamento da temporada de inverno no Rio de Janeiro, mas isso foi vetado pela indústria.

Ah, sabe o que mais tem em meio a esse rolo todo? O SPFW foi despejado do prédio da Bienal, que durante o período abrigará a Bienal de Artes deste ano. Daí, a organização está decidindo entre o Jockey Clube de SP, ou o MuBE, ou o Parque Villa Lobos. Nesse meio de tantos “ou”, percebe-se que a indústria brasileira tem muita sorte e consumidores ávidos por consumir. Ou não!

É pra pensar!

Beijos,

Douglas

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O que realmente inspira? by Gabriela de Oliveira

Estava vendo as fotos da Lindsay Lohan tiradas pelo Terry Richardson. Ok, é o Terry Richardson, o cara é o máximo e faz fotos mega polêmicas. Mas, sinceramente, o que eu vi não me surpreendeu nada. Pareceram fotos comuns, feitas dentro de um quarto de hotel.

Acho estranho esse oba oba criado pela mídia em cima de nomes consagrados. Se eles fazem uma foto com o celular e publicam na internet, por mais que seja uma foto comum, sem atrativo nenhum, tratam como se fossem verdadeiras obras de arte.

Sim, se tratam de pessoas talentosas. Mas nem por isso tudo o que fazem é o máximo. E creio que nem eles queiram fazer isso sempre. As fotos divulgadas não são nada produzidas. Como os dois têm um vínculo de amizade, pode ser que as tenham feito se divertindo e publicaram, o que foi suficiente para todos transformarem as fotos em “polêmicas”, “uma maravilha”, ou “obras de arte”.

Poucos são sinceros e dizem que realmente não viram nada demais nas fotos. Que passam por cima do mito e admitem não achar graça nenhuma na Lindsay Lohan, dentro de um quarto, com um revólver apontando pra cabeça. Pode ser que o senso comum gere isso. Afinal, as famosas ‘Maria vai com as outras’ se tornam cada vez mais comuns.

Algo semelhante ocorreu no São Paulo Fashion Week, com a coleção do estilista Alexandre Herchcovitch. Na minha opinião – e de vários críticos – a coleção foi péssima e impossível de transpor da passarela para a vida. Mas por se tratar do estilista, muitos fizeram críticas positivas, elogiando o trabalho, como se tivesse sido perfeito.

Mais uma vez eu admito: o cara é demais. Amo as criações do Alexandre, admiro o trabalho e as técnicas dele e a coleção não foi de todo ruim. O trabalho que ele fez com fios foi fantástico. No entanto, o visual não agradou. Ficou uma coisa passarela demais, longe do que ele apresentou no Rio de Janeiro, e inspirou a todos que estavam assistindo, ou então, a execução do trabalho dele no masculino, perfeita e complicada de se fazer igual.

Enfim, não acredito que hajam melhores ou piores em qualquer área. Existem os competentes e os incompetentes. Mas vale lembrar que em alguns dias os primeiros não estão tão inspirados – ou preferem não estar.

Beijos!

Gabi

Aquecendo sua casa neste inverno by Dênis Conte

O inverno recém começou e a procura por aquecedores e lareiras vem aumentando gradativamente, as opções no mercado vão além do funcional e trazem charme a qualquer ambiente.

Todos aquecedores funcionam a partir do mesmo princípio: esquentam o ar em volta do aparelho e fazem-no dissipar, aquecendo outra porção e assim sucessivamente.  Os modelos mais encontrados de aquecedores são os com resistência incandescente, termo-ventiladores e a óleo.

Os modelos com resistência incandescente ficam com a resistência aparente e o calor entra em contato direto com o ar, por isso o aquecimento do ambiente é rápido. Por outro lado, tendem a concentrar o calor nas proximidades, sendo menos eficientes para espaços mais amplos.

Os do tipo termo-ventiladores têm uma hélice para acelerar a renovação do ar ao redor do aparelho, ampliando o alcance e esquentando mais rápido, possuem ruído semelhante ao de um ventilador. São Indicados a espaços médios e pequenos.

Nos aquecedores a óleo, o óleo é aquecido e troca calor com o ar do entorno. São silenciosos, porém demoram mais para começar a fazer efeito, já que é preciso o óleo estar quente primeiro. Aparelhos de chão, em geral são indicados para espaços pequenos e médios, como banheiros e quartos.

Hoje em dia existem diversos modelos de lareiras, que vão das tradicionais a lenha, passando pelas a gás, elétricas e recentemente as ecológicas, que estão modernizando o mercado brasileiro sob as novas exigências de consumo consciente.

As clássicas lareiras à lenha preservam o cheiro de pinho, os estalos da madeira queimando e a cor natural do fogo. Elas podem ser feitas de alvenaria ou de metal e podem ser compradas prontas ou feitas sob medida embutida na parede. Ambas necessitam do auxílio de um profissional para fazer corretamente a canalização da fumaça e a construção da lareira de alvenaria deve ter o acompanhamento de um arquiteto, pois o tamanho do equipamento deve ser calculado para que haja eficiência tanto na função de distribuir calor quanto no espaço disponível no ambiente. Cuidados como utilizar um tijolo refratário e uma porta térmica de vidro evitam problemas no futuro.

As lareiras a gás usam gás GLP (botijão de cozinha) ou gás natural, a mais comum é a linear, que vem com pedras vulcânicas colocadas sobre os queimadores. Essas pedras retêm o calor sobre o equipamento mantendo a temperatura do ambiente por muito mais tempo. Para instalar uma lareira desse modelo, é necessário fazer uma caixa de concreto ou alvenaria para acomodar os queimadores. A grande vantagem desse tipo de lareira é que elas não fazem sujeira nem fumaça por isso dispensam o uso da chaminé. É necessário ter um ponto de gás no local que você escolheu colocar a lareira, que deverá ser feito por um profissional especializado e ele já deve estar pronto na hora em que o técnico for instalar a lareira.

Importante: você deve ficar atento se a lareira que você comprou ou está pensando em adquirir possui sistemas de segurança regulamentados pela ABNT na NBR 13.103. Certifique-se de que ela possui uma válvula que corta o fornecimento de gás caso a chama apague, evitando que o gás se espalhe pelo ambiente. Verifique ainda se o produto possui um sistema que mede a quantidade de gás carbônico no ambiente e desliga automaticamente quando a quantidade desse gás for considerada imprópria para a respiração.

Lareiras elétricas ou digitais são as que funcionam como um aquecedor, porém com todo charme que uma lareira pode oferecer, elas possuem uma chama em 3D. Elas podem ser embutidas na parede ou penduradas como quadro. Possuem sistema de segurança, controle de temperatura e até ajuste de iluminação.

As lareiras ecológicas são feita em recipientes de aço inoxidável, a chama da lareira se mantém acesa através do biofluido à base de etanol. A substância foi desenvolvida especialmente para este fim e sua combustão não produz fumaça nem cheiro e a emissão de CO2 é baixíssima, menor que o equivalente a nossa respiração. O interessante é que as chamas têm coloração amarela, assim como as das lareiras à lenha.

É importante salientar que antes de efetuar a compra é necessário a orientação de um profissional para garantir a segurança da instalação. A lareira deve ser proporcional ao tamanho do ambiente, por exemplo: uma sala de 100 m³ pede uma lareira de 54 cm.

Beijos

Dênis

The Golden Filter by Erika Ceglia

Logo que virei DJ (sim, DJ, se me chamam de Djane, fico louca de tão braba. Essas aí, pra mim, são as piriguetes), aprendi que todo profissional tem suas músicas certas para cada tipo de evento. E, antes de pôr a técnica em prática, observei muito e constatei que é verdade.

Alguns simplesmente soltam playlists iguais em todos os eventos. Mas isso não vem ao caso.

No meu caso, em eventos de moda, opto por bandas menos conhecidas do grande público. Afinal, que curte e entende do assunto, tá bem ligado no que é hype e não quer ouvir aquele remix da música da Katy Perry.

E um dos meus tiros certos nesse tipo de evento são os sons do The Golden Filter, que é um duo de música eletrônica de Nova York, formado por Penelope Trappes, que faz os vocais, e Stephen Hindman, nos sintetizadores.

Influenciados por Saint Etienne e Pink Floid, daí uma pegada mais rock, o som deles é meio misterioso, mas ao mesmo tempo animado e gostoso de ouvir. A voz rouca da Penelope arrebata os ouvidos (coisa brega essa que eu escrevi!) e faz a pessoa viciar um pouquinho.

Não lembro como, nem quando conheci o trabalho deles. Mas suspeito que foi em Nova York, porque uso o som que vou postar desde depois que voltei das minhas férias por NY, no começo desse ano.

Abaixo segue Favourite Things, que, honestamente, é meu favourite song pra eventos fashion. Espero que curtam!

Beijão!

Erika

Helen Rödel na Casa de Criadores by Douglas Petry

Helen Rödel é minha conterrânea. Já falei dela por aqui e do trabalho incrível que ela desenvolve com crochê e tricô. Ela fazia esses trabalhos manuais já na época em que ninguém valorizava isso, e foi mostrando talento e capacidade de crescer, ao passo em que essas técnicas reconquistavam seu espaço.

Não é pra menos que hoje Helen seja referência no assunto e tema de reportagens e mais reportagens sobre os trabalhos manuais, que ocupam páginas desde revistas como Harper’s Bazaar, à Época.

O trabalho dela encanta pela perfeição. Caso você tenha a oportunidade de chegar perto de uma peça produzida por ela, repare nos detalhes. O ponto pipoca, muito usado por ela na sua coleção anterior, como ela mesma diz, lembra muito um campo.

No verão, apresentado pela primeira vez na Casa de Criadores, em São paulo – a realização de um sonho, segundo ela – foi encantadora. Impossível não atrair os olhares para a pedraria, aplicada em tramas em que cada pedrinha foi colocada uma a uma no fio de náilon. Um trabalho de mestre, que exige muito tempo.

As tiras, que já apareciam na coleção anterior, vieram multicoloridas, numa técnica em que são feitas separadas e depois trançadas na moulage, usando o mínimo de costuras possíveis.

Os pontos de Helen são ricos. Num tricô bicolor usou um chamado olho de lince e em outras peças, atingiu formatos com textura de colméia.

Trabalhos desse tipo são para poucos. Mas Helen o faz com maestria. Uma profissional encantadora, simples e hábil, que aprendeu muito na prática e sabe criar efeitos dignos de exposições de arte.

Beijos,

Douglas

oOoOO by Erika Ceglia

Estou longe de ser uma especialista em música. Tudo o que aprendi foi pesquisando e ouvindo. Inclusive a discotecar. Nunca fiz um curso, só tive instruções de amigos de DJ. A graça de ser assim é que vez ou outra, por acaso, encontro coisas muito boas. Um exemplo é o som do oOoOO, sim, assim mesmo, esse monte de O junto, que, falando, dão o som de Oh!

O oOoOO é um projeto do americano Chris Dexter Greenspan e existe desde 2010, quando ele lançou um disco de 100 cópias feitas por ele mesmo. E desde então o projeto, que tem fortes influências de Jana Hunter e Matteah Baim, fez sucesso.

Esse ano ele lançou o disco Our Loving is Hurting Us. Um dos singles é Nowayback, com a voz de Butterlock. O som é uma delícia. Conheci quando estava fazendo um set, queria um som envolvente e pedi pra um amigo algo do tipo. E desde que ele indicou, está no meu Ipod, de onde resgato vez ou outra o som para ouvir.

Mais coisas dá pra ouvir no Soundcloud do oOoOO.

Vou tentar aparecer por aqui no fim de semana com um sonzinho mais agitado. Hoje estou nesse ritmo porque discotequei num coquetel mais calmo.

Bjo!

Erika

Coisas que não rolam no verão by Gabriela de Oliveira

Acreditem, o look acima é da coleção de verão da estilista Juliana Jabour. É lindo? É. Mas, meio impossível de se usar no Brasil, concordam? Ela, assim como vários outros estilistas, viajou nessa temporada. Metalizado no verão brasileiro? Só se for para alguém que vive dentro de uma bola de acrílico, com ar condicionado o tempo todo, né?

Os estilistas brasileiros sofrem com uma certa crise de Europa. Eles acreditam que, assim como no continente amigo, o calor é mais ameno e dura pouco tempo. Sonho deles, afinal, chega setembro e pouca gente suporta o calor.

Começo falando do metalizado, mas não é só ele que temos para comentar. Plástico? Couro? Resinas? Sim, tudo isso os designers do nosso Brasil 40º C em janeiro, pretendem que usemos. Agora me digam: num país úmido como o Brasil, como alguém vai vestir uma roupa que não respira num dia quente? Talvez um short, ou uma saia, à noite. Mas de resto, é tiro no pé.

A Ellus é uma grife que aposta em cheio nos tais tecidos tecnológicos. E eu sou uma das que corre como o diabo da cruz desses materiais no verão. Afinal, tenho medo de que a minha roupa comece a derreter no meio da rua.

Tudo isso que é mostrado, na maioria das vezes, é lindo no efeito passarela. Mas na vida real é impossível. E depois reclamam que o público berra porque as coleções apresentadas nas passarelas não chegam às lojas. Poucas marcas fazem trabalhos que façam essa transposição e as que fazem, geralmente trabalham com as modelagens possíveis e materiais que se adequem à estação.

Eu particularmente, prefiro mil vezes uma seda, malha, um tricô, e outros materiais mais comuns para usar no dia a dia de verão. Afinal, sou humana e ando na rua, entro em restaurantes, trabalho… E nem todos os ambientes têm ar condicionado para eu ficar com a minha linda jaquetinha de couro, plástico, resina, ou seja lá qual for o tecido abafado da vez.

Como editora de moda de uma revista, não posso fechar os olhos para uma tendência. Mas não é porque algo está na moda que precisamos vestir, né? Sejamos realistas.

Beijos,

Gabi