Inverno 2012: SPFW, dia 4

Praticamente entramos (na triste) reta final da 32ª edição do São Paulo Fashion Week. Nesse quarto dia, com muita chuva em alguns momentos (aliás, como está chovendo essa semana!!!), fomos premiados com alguns ótimos desfiles.
Para abrir o dia, a Cavalera convidou todos para visitar a Estação da Luz. Logo na entrada, uma surpresa: duas dançarinas recepcionavam ao som de uma banda de jazz tocando ao vivo. Tudo muito lindo, tudo muito show. Na hora do desfile, foi impossível não temer que o escândalo da edição de verão se repetisse. Mas não, a grife veio contida, com bons looks, super comerciais.
Já na Bienal, Jefferson Kulig apresentou uma coleção com algumas peças bacanas, outras nem tanto. Tudo muito conceitual, mas nada que chamasse a atenção da platéia e nos fizesse desejar tudo. Fause Haten mostrou um show, com roupas lindas e glamurosas. Destaque para a trilha sonora, que contava com ele cantando Alcione.
O retorno de Juliana Jabour encheu os olhos de todos. Com seus tricôs super must have e seu conceito mais boho, a apresentação foi linda e ‘de sair usando’, como comentou uma moça qe estava na fila de trás da que eu estava.
Pra terminar, a Colcci. Impossível não falar no burburinho causado pelo ator Ashton Kutcher, que entrou mudo, saiu calado e não desfilou. Ele até concedeu entrevistas, mas dizem não ter sido nada simpático. O pior de tudo foi um grupo de blogueiras sentadas atrás da fila que eu estava, comentando que veriam ele na festa da grife. Não custa alimentar esperanças, né? Sobre a coleção, foi muito aproveitável, produzida com certa maturidade e bom uso de materiais (menos a maioria dos tricôs, que, na minha opinião, tinham um acabamento péssimo).
Vamos falar um pouco sobre cada grife?

Um dos melhores desfiles do dia (tá, o melhor!). A marca mostrou um amadurecimento muito grande do inverno passado para cá e aprimorou suas técnicas, incluindo materiais diferentes. Nada melhor do que o local escolhido (uma estação de trens) para representar o tema escolhido: faroeste urbano.
A coleção era em sua maioria em preto. Em alguns momentos, bordados iluminavam os looks. Além disso, azul, vermelho, cáqui e verde militar estavam na cartela de cores, sem falar nas estampas lúdicas, mega coloridas.
Jaquetas, paletós, calças, vestidinhos e camisetas seguiam bem o estilo urbano, raiz da Cavalera, e eram feitos em jeans com tratamento resinado, veludo lavado, molteom (que aparece bordado e recortado a laser), malha e renda.

Jefferson Kulig buscou inspiração em campos urbanos, ou seja, na tentativa de trazer o campo para a cidade, onde as únicas flores que sobrevivem são as “tecnológicas”. Isso resultou em flores e folhas sintéticas que foram aplicadas de forma artesanal nas roupas e acessórios.
O inverno leve do estilista contou com cores claras, como branco, bege, cáqui e pontos de rosa. As silhuetas pouco marcadas eram feitas com seda, couro sintético, musseline e organza.


Fause Haten se inspirou nos files de Elvis Presley dos anos 60 para criar sua coleção de inverno. A coleção foi luxuosa, com modelagens arrojadas e trabalhos bem feitos com materiais ricos, como sedas, rendas e peles (tanto as naturais quanto as sintéticas).
O inverno do estilista é trabalhado em verdes, preto e roxo, além de estampas tropicais (inspirada no filme que o rei do rock gravou no Havai), e nos paetês totais ou pontuais.
Uma coleção muito desejável e usável para as noites.


Um dos retornos que mais nos deixou felizes nos últimos tempos foi o da Juliana Jabour, que dessa vez veio inspirada no filme “Viagem a Darjeeling”, de Wes Anderson.
O longa se refletiu nas cores açafrão, preto, laranja, cinza mescla, nude e amarelo, comuns nos cenários tipicamente indianos, e na matéria prima, alfaiataria em crepe e em lã, georgete crepado, jacquard metalizado, linho bordado, tricô com lourex, tricô artesanal e tweed rústico com lures, refletindo o mobiliário rústico das cidades.
As silhuetas eram inspiradas nos anos 20 e 60 e os tricôs confortáveis e as jaquetas com tweed já se tornaram objetos de desejo.


Com muito atraso, a Colcci, comandada por Adriana Zulcco, abriu o desfile com Alessandra Ambrósio gravidissíma na passarela. A inspiração era o Oriente Express sofisticado e a coleção apresentou um avanço no uso de materiais e técnicas por parte da equipe.
Denim, tricôs artesanais (até demais e mal acabados), muito couro, sarja e tecidos de alfaiataria eram coloridos com marrons, caramelo, conhaque, verde militar, laranja, marinho, amarelo e rosa antigo.
Algumas calças eram feitas de couro e tinham shape justo. Toda a coleção contou com uma silhueta minimalista e cortes geométricos. Interessante o balanço entre formas amplas e secas e o uso das saias, que foram maioria e iam das midis e lápis às longas e plissadas.
O único problema do desfile foi seu foco, que desviou um pouco do principal público consumidor: os jovens.

Por hoje é isso. Amanhã voltamos com o quinto dia de SPFW!

Beijos e abraços,

Douglas e Gabriela

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