Inverno 2012: SPFW, dia 3

Terceiro dia de desfiles na Fundação Bienal, em São Paulo e o que se viu foi a nossa teoria de que uma semana de moda deve agradar a todos é uma realidade. O dia começou mais gótico, com Reinaldo Lourenço mostrando sua coleção na Faap. Corremos (literalmente) para a Bienal e pudemos ver uma Ellus que aprimora cada vez mais seus processos e consegue mostrar um rock cada vez mais elegante e desejável.
Depois foi a vez de Mario Queiroz mostrar sua moda reaproveitada, usando tecidos que sobraram de outras coleções. Quem seguiu a mesma linha, e criou imitações perfeitas de pele com tecidos, foi Samuel Cirnansck, que encerrou o dia.
No meio disso tudo, ainda teve a Huis Clos, que encantou com sua elegância de sempre.
O terceiro dia de São Paulo Fashion Week valeu muito a pena pela beleza, inovação e certeza de que a moda brasileira está avançando.

Inspirado em Notre Dame, luzes e sombras, “novas bruxas urbanas”, e na estética gótica, Reinaldo Lourenço levou para a passarela um inverno com ares de mistério e um fetichismo recatado, com jogos de leve e pesado e uma alfaiataria rica.
O preto predominou em boa parte do desfile, até que no meio toques de nude e prata deram a graça com estampas que eram a representações dos vitrais da Igreja de Notre Dame. Para fechar, o negro retorna, dessa vez acompanhado do vermelho.
Seda, crepe, organza, veludo cristal, gabardine, vinil e couro deram forma a saias, paletós, mantôs e capuzes, que apareceram sob uma estética simples em termos de shapes, mas muito elegantes e provocadoras. O que não faltou foram peles e brilhos, seguindo as principais tendências da temporada.


Comandada pela estilista Adriana Bozon, a Ellus desfilou uma coleção inspirada nos países nórdicos (principalmente a era viking) e no heavy metal.
Isso resultou em formas clássicas da marca, como as jaquetas perfecto e mega coletes estruturados. Outras peças feitas de lã, com sintéticos, como as malhas resinadas, fios de lurex em detalhes, rendas de algodão, couro (alguns momentos matelassado) e o seu tradicional leather denim provaram que a marca está num constante aprimoramento do seu trabalho e no uso das técnicas.
Nas cores, preto, vermelho (um tom longamente estudado e escolhido), oliva, laranas e ouro rose foram arrematadas com estampas super interessantes, inspiradas em lenços. Com certeza uma coleção que encantou muito quem assistiu ao desfile.


Com a art decô e o futurismo como fios da meada, Mario Queiroz focou mesmo sua coleção de inverno na sustentabilidade. Prova disso é que o estilista optou por reutilizar materiais de outras coleções (o mesmo feito no inverno passado por Marcelo Sommer). Isso resultou em uma mistura interessantes de várias padronagens em uma mesma peça.
As lãs, organzas e jaquards tinham formas clássicas e fluidas, com volumes e sobreposições e poucos contornos ao corpo e vez ou outra eram arrematadas com cristais. Na cartela de cores: azul, cinza, prata, tons terrosos e preto.


Comandada por Clô Orozco, a Huis Clos levou para a passarela uma coleção com muito cinza, pontuada com verdes e azuis suaves. A coleção elegante era feita de malhas dubladas até quatro vezes, veludo e rendas com estamparia, que resultavam em um efetio luminoso.
A silhueta é minimalista, clássica da marca, e une conforto com contemporaneidade. A inspiração veio de lingeries vintage, da época em que eram ainda cortadas e bordadas à mão.


Para encerrar o terceiro dia, Samuel Cirnansck apresentou seu inverno com a visão de que as roupas podem ser usadas no lugar de jóias e jóias no lugar de roupas. Além disso, ele reforçou a teoria de reutilização de material e conseguiu criar falsas peles com tricôs desfiados que enganaram muita gente que não sabia da tal técnica.
O desfile foi dividido em três partes: uma de brancos, uma de dourados e a última de pretos. Tudo numa sequência perfeita e maravilhosa. Os vestidos tinham “rabo de sereia” e eram longos ou longuíssimos.
Nos materiais, organza, cetim, musseline em seda, renda, tules e gazar, bordados com contornos estratégicos e transparências sensuais.

Fim de mais um dia super válido da temporada de moda paulista. A partir de amanhã entramos na reta final do inverno nacional. E desde já, ficamos com gostinho de quero mais!

Até!

Beijos e abraços,

Douglas e Gabriela

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