We ♥ : maxibrincos

Maxicolar? Isso é coisa do passado. Ao menos é isso que temos percebido nas últimas semanas. No Brasil, uma das proliferadoras da tendência foi a Costanza Pascolato, que durante muito tempo usou colares enormes, e muitas vezes mais de um. Mas no último SPFW, ela surpreendeu a todos e abandonou os colarzões. Agora ela aposta na febre dos maxibrincos. “Agora que todo mundo usa colar grande, eu não quero mais.”

E ontem na entrega do Screen Actors Guild Awards, a tendência se confirmou. Várias atrizes maravilhosas apostaram nos maxibrincos, como Angelina Jolie, Natalie Portman e Emma Stone (nossa nova fashionista preferida).

Na nossa opinião, essa tendência é o máximo e pode ser uma grande atualizadora de looks na próxima temporada, mas que já pode ser usada nessa. Olha só alguns modelos que nós amamos…


E ai, a fim de correr e pear seus maxibrincos? Eu já estou!

Beijos,

Gabi

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Caderno especial sobre o SPFW

Enquanto estamos de folga do blog, vou postar pra vocês o caderno Mais Atual, do Jornal A Hora, aqui de Lajeado, que eu produzo. Nesse fim de semana, como todo caderno de moda que se preze, ele foi dedicado ao São Paulo Fashion Week.

Abaixo seguem as páginas (cortadas, porque tiramos os anunciantes do jornal).

Espero que curtam!

Beijos e abraços,

Douglas

Dá licença!

Resolvemos parar um pouco. Nossa semana foi corrida, cheia de informações, passando muita informação pelo blog e escrevendo bastante para nossos “outros trabalhos”.

Por isso resolvemos nos dar ao tempo de organizar tudo internamente, analisar o que daquilo tudo queremos ou não amar. Uma reflexão necessária em meio a um bombardeio de informações de uma semana de moda, né?

Mas não é só de descanso que é feito esse tempo. Estamos produzindo um post (que será bem grande e legal) sobre o que grandes nomes dizem sobre um futuro não tão distante do design, seja ele de moda ou de casa. Aguardem que vem coisa boa e poderosa por aí!

Por hoje, fiquem com essa imagem linda da alta costura que Elie Saab apresentou essa semana em Paris. Falaremos disso também, mas antes, queremos poder formar nossa opinião, tá?

Tão doce, né?

Beijos e abraços,

Douglas e Gabriela

Inverno 2012 – Balanço do SPFW

Não confirmamos ontem se hoje teria ou não um balanço do São Paulo Fashion Week porque não tínhamos noção de como estaria nosso cansaço (não pensem que é fácil correr aquela Bienal inteira o dia todo, durante uma semana!). Mas como não estou tão cansado e estou escrevendo uma matéria com o balanço pro meu caderno no jornal A Hora do Vale, resolvi falar aqui também. Porque a gente é chique e tem que ficar sabendo das coisas antes, né, benhê?

Selecionei dez propostas apresentadas como as queridinhas das grifes nacionais, mas lembrem que a coisa vai bem além e isso nós vamos tratar aos poucos, porque até começarmos a comprar as roupas de inverno (lá em março), temos muito chão pela frente.

Pra começar, uma tendência que permanece do ano passado para esse. O couro foi apresentado em quase todas as coleções, seja verdadeiro ou falso. Assim como as peles e pelos, que começaram a aparecer com certa timidez no inverno passado e agora vieram com tudo. O que diferencia é que eles aparecem renovados, com cores e texturas diferentes. Falando em pele, inteligentissímo o trabalho da Gloria Coelho usando pele de boi, né? (Não venham criticar, porque quase todo mundo come carne e a pele acaba indo fora!)

A maior novidade da temporada são os metalizados, que aparecem em detalhes (em forma de fios de lurex), ou em peças inteiras. Essa tendência invadiu até as rendas, que vieram com nova cara, em tons de dourado para aguentarem mais uma estação.

Na parte de tecidos, dois detaques que brilham: o veludo molhado e o cetim. Um que seria proposta de dia (veludo) apareceu na noite, e o outro que seria a cara da noite, foi usado para o horário de sol. Para os mais tradicionais, continua o uso da forma clássica. Ninguém sai perdendo.

Nas formas, destaque para o look estilo pijama, super confortável. Essa é uma tendência que apareceu desde o Rio de Janeiro e parece ter conquistado seu espaço. Perfeita para quem gosta de conforto. No comprimento da saia, o midi continua. Cuidado, pois ele é altamente envelhecedor. Talvez você tenha que ter aulas com uma francesa antes de embarcar nessa barca.

Pra garantir o toque de sedução, as transparências permanecem com tudo. Claro que continua a regra: use com bom senso, mostrando apenas uma parte pequena do corpo, e durante a noite. Não faz a loka.

Na parte dos acessórios, além das botas de cano médio, os scarpins e os saltos anabela, os cintos foram muito usados pelas grifes. Isso nos remete a uma tendência antiga, que brasileira adora: cintura marcada. Mas pode usar e abusar, porque é um embelezador da silhueta feminina.

1 - Couro, Ellus / 2 - Metalizado, Tufi Duek / 3 - Veludo, Reinaldo Lourenço / 4 - Pelos e peles, Gloria Coelho / 5 - Rendas, Huis Clos / 6 - Shape pijama, Animale / 7 - Comprimento longuete, Pedro Lourenço / 8 - Cinto, Iódice / 9 - Cetim, FH por Fause Haten / 10 - Transparência, R. Rosner

Por hoje é isso. Agora sim posso afirmar com certeza: não sei que post vai rolar por aqui amanhã. Gente, nossa vida está muito corrida. A Gabriela está no Canadá em Floripa, eu estou tocando dois cadernos ao mesmo tempo, sendo que um ficou atrasado devido a minha ausência por uma semana, a Gabi tem que terminar a coleção dela pra uma loja da Argentina e tocar a revista (ela é editora de moda da DUO Magazine), eu tenho viagem agendada pra Floripa, São Paulo e um casamento pra ir, além de estar programando um eventinho de moda pra fevereiro. É muita correria pra duas pessoas! Mas prometemos não abandonar vocês, tá bom?

Beijos e abraços,

Douglas

Inverno 2012 – SPFW, dia 6

O sexto e último dia de São Paulo Fashion Week, com certeza merece o título que demos. Não só o dia, mas toda a temporada, vai deixar saudades. Amamos a maioria dos desfiles e não vemos a hora de chegar o inverno para adotar as propostas apresentadas.
Vamos ao dia de hoje. Neon fez uma apresentação de poucos looks e com quase todos contidos, fugindo um pouco à imagem que a marca firmou ao longo do tempo. Mas Neon é Neon e as estampas não podem faltar.  E elas estavam lá, lindas, inspiradas em Istambul. O desfile foi um show a parte, com trilha que contava com Maria Callas e no fim, ao vivo, a bateria da Águias de Ouro quebrava o clima austero.
Depois, já na Bienal, foi a vez de Fernanda Yamamoto mostrar a evolução de seu trabalho. Ela, que ficou marcada por uma coleção inspirada na Hello Kitty (ou seja lá como se escreve), mostrou que cresceu muito no desenvolvimento de sua coleção.
Na sequência, Alexandre Herchcovitch apresentou suas propostas para o inverno masculino numa coleção super inteligente, que tinha um peso pessoal para o estilista devido a inspiração, que era o judaísmo, sua religião. Peças muito usáveis e comerciais foram bem apresentadas em looks feitos para a passarela. Mais uma vez o estilista provou que pensa muito bem suas criações antes de apresentá-las ao público.
A Amapô, assim como Fernanda Yamamoto, amadureceu. A coleção foi muito mais contida do que as anteriores e as propostas de looks super inteligentes e usáveis. Destaque para as peças que mostravam o esqueleto das peças, sugerindo a forma que a roupa é construída.
E para fechar a temporada, André Lima trouxe um inverno muito inspirador, tirado de suas várias viagens, mas sempre pendendo pro orientalismo. Outra coleção inteligente, que satisfez o público presente.
Agora, veja um pouquinho mais sobre cada grife.

Dudu Bertholini e Rita Comparato criaram uma coleção inspirada em proporções, flores , “as grandezas áureas da natureza” e a cultura multi-étnica de Istambul. Como resultado de tudo isso, o uso de crepe, Jersey, camurça de lã (além da lã de boucli), foi equilibrado com seda pura, brim, palha e metal.
O inverno da grife é focado na modelagem, com ombros estruturados, cintura marcada e quadril alargado. A estamparia, marca registrada da grife, foi mais contida. Em seu lugar, muitas cores, como rosa, amarelo, laranja, vermelho, vinho, roxo, verde, marinho e preto, que muitas vezes eram usadas juntas no mesmo look e criavam contrastes interessantes.


Pinturas do Renascimento, em especial os retratos da imperatriz romana Bianca Maria Sforza foram o ponto de partida de Fernanda Yamamoto para sua rica coleção de inverno. Silhuetas secas, com sobreposições e comprimentos variados e o uso de muito jaqcuard, que reproduzia pinturas e tapeçarias foram o ponto alto da coleção que teve menos vestidos e peças inteiras e uma aposta maior nas duas peças.
Jogos de contrastes e descontinuação criaram estampas contemporâneas. Nada era muito perfeitinho. As golas as vezes começavam de um jeito e terminavam de outro. Os cortes ganhavam um acabamento numa ponta e outro na ponta oposta.
A coleção teve cara de nova, principalmente pelos bons jogos de formas e estampas.


Uma das poucas coleções apresentadas exclusivamente para os homens foi a de Alexandre Herchcovitch, que se inspirou nos judeus ortodoxos para a criação de seu inverno.
Quase toda a coleção era feita de lã, com toques de malha, algodão encerado, nylon e couro. Na cartela de cores, predomínio do preto, com toques de branco, marinho e cinza.
Alexandre desconstruiu as roupas do ortodoxos e incorporou elementos da religião judaica e adereços de reza à sua alfaiataria.  Algumas referências diretas usadas por Alexandre foram: s listras e os tons da remetiam ao Talit, o xale que os homens usam para rezar. As mangas e luvas listradas de preto vêm do Tefilin, amuleto de couro que é amarrado no braço e na mão diariamente na hora da reza. Desde o barmitzvah os meninos passam a usar. Os cintos são uma referência ao Gartel, faixa que se usa por cima dos casacões de inverno. Alguns looks ainda levavam o Shtraimel, tradicional chapéu de pele que faz parte do costume ortodóxico
A série de looks brancos, preferida de Ianes, remetia ao Na Nach, uma ramificação do judaísmo ortodoxo que não se vê muito no Brasil. O grupo é conhecido por celebrar a alegria, o que é percebido também na trilha sonora, que usa uma nova banda israelense Oy Division (isso mesmo), com sonoridade festiva e folclórica.


Carolina Gold e Pitty Taliani fizeram com a coleção da Amapô como um mix de vontades das estilistas, que passa pelos croquis dos projetos do coletivo artístico AVAF (influência nas estampas), o modo de vestir dos skinheads, a elegância de meninos adolescentes, e a personagem do cartoon britânico Tank Girl.
O resultado foi a não definição de formas, que iam dos justíssimos aos estruturados que mal tocavam o corpo. Os tecidos foram o tricô, a viscose, o Jersey e o brim e na cartela de cores, a mistura interessante de preto, branco, azul e metalizados.


Elementos asiáticos e africanismos inspiraram André Lima para o seu inverno. O estilista criou peças mais volumosas, com comprimentos que variavam dos longos aos mini. Na parte de tops, destaque para as jaquetas, que ora apareciam com babados e ora não, e os ponchos dramáticos, super volumosos.
Na cartela de cores, o uso do azul contrastou com os terrosos e o dourado. Nos materiais, tweed, jacquard, organza, seda e metalizados criaram uma das coleções mais interessantes do fechamento do SPFW.

E por hoje era isso, pessoas! Foi um prazer termos a possibilidade de fazer a cobertura completa desses seis dias de evento e esperamos poder continuar. Agora, futriquem no nosso arquivo, vejam os outros dias, busquem sobre o Fashion Rio e divirtam-se!

Eu (Gabriela), estou partindo para Floripa amanhã, onde acompanharei um pouco do Sul Fashion e do Denim Pret-à-Porter. Se rolar uma matériazinha ou outra interessante, eu posto aqui. O Douglas volta à rotina normal amanhã, mas terá que fazer um caderno especial sobre o SPFW. Por isso, pode ser que demore uns diazinhos pra sair o nosso balanço. Amanhã explicamos um pouco melhor tudo o que vai acontecer aqui.

Beijos e abraços,

Douglas e Gabriela

Inverno 2012: SPFW, dia 5

Quinto e penúltimo dia de São Paulo Fashion Week. E antes que bata o saudosismo dos seis dias fantásticos que estamos passando na capital paulista, deixamos o recado: os desfiles de hoje foram dignos de show!
Tudo começou com Gloria Coelho, que sempre encanta. Dessa vez, fazendo uma espécie de retrospectiva de várias criações, ela não fez diferente. Nos deixou com vontade de levar metade da coleção pra casa e sair vestindo antes mesmo do inverno chegar.
Então foi a vez de Maria Bonita, que também sempre nos agrada. E dessa vez, não foi diferente. A perfeição em forma de desfiles, tudo casou, tudo foi harmônico: as roupas, a maquiagem, o cabelo, a trilha. Deu vontade de pedir por mais.
Daí foi a vez da Uma, de Raquel Davidowicz retornar às passarelas paulistas e mostrar o amadurecimento que ela buscou durante o tempo em que se ausentou. E foi isso que ela fez. Uma coleção linda, desejável (a mais comercial do dia, mas que merece muitos elogios) e com um casting nobre, com grandes mulheres que são consumidoras da marca, como Deis Stoklos.
Para engrenar na “linha de shows”, João Pimenta apresentou uma coleção absurda para o lado comercial, mas encantadora para o lado conceitual. Roupas masculinas bem pensadas, realmente seguindo o tema proposto e que, na união de todos os fatores do desfile, nos fez viajar para outras épocas. Uma linha inteligente, feita por um ótimo estilista que sabe o que faz.
E para encerrar a noite com chave de ouro, Lino Villaventura apresentou uma coleção cheia de glamour, daquelas que todas as mulheres desejam ter todas as peças. Foi o desfile mais aplaudido, causando frisson até mesmo durante a apresentação, nas peças que mais brilhavam. Mas o brilho não se limitava aos materiais. Lino, com toda a sua maestria de anos de experiência, mostrou roupas que fariam Maria Antonieta ir a pé de casa até a loja para comprar todos.
Enfim, o dia foi muito, muito, muito bom e estamos mega empolgados com o inverno que está por vir. Abaixo, um resuminho sobre cada grife que desfilou hoje!


Inspirada nos neutrinos, nos vulcões e nos anos 30, 50, 60 e 90, Gloria Coelho fez um apanhado de vários conceitos legais que trabalhou até hoje. Tiveram roupas em pétalas de organza, jabôs, jaquetinhas e calças bicolores, mangas pelerine e longos em pastilhas de cetim.
Formas clássicas da estilista apareceram, como calças, jaquetas e saias ajustadas. As últimas, dessa vez foram atualizadas e ganharam formas amplas e rodadas, com pregas soltas.
A cartela de cores tinha preto, branco, nude, vermelho e camelo, além de estampas de vulcões e outra que centralizava linhas de uma teia de aranha no umbigo, essa, um tanto quanto estranha.


Danielle Jensen se inspirou em dias do Norte, com as motivações diversas e roteiros variados por entre os rios-ruas que riem das pessoas ao se modificar a cada enchente. Ela pediu licença aos boiadeiros, castanheiros, índios, seringueiros e marisqueiros para conhecer seus saberes e fazeres e criar o inverno da Maria Bonita.
O uso de materiais foi interessante, passando pelos básicos, como tricô e paetês, até os mais ousados, como látex (tem coisa mais Manaus do que o látex?) e canutilhos de metal. Mas na coleção, nem o simples foi simplório. A lã usada era escovada várias vezes, até chegar ao resultado final. Uma riqueza enorme.
O resultado leve contou com uma cartela de cores composta por castanhos, verdes, rosas e amarelos e formas confortáveis e elegantes. Destaque também para as tiras presentes na parte final do desfile, que formavam um efeito “oca”, que eram feitas com paetês recortados.


A Uma, comandada pela estilista Raquel Davidowicz, mostrou um esporte minimalista na passarela e explorou muitas formas andróginas, ora fluidas, ora estruturadas, alem de muitos comprimentos longos e algumas fendas.
Nos materiais, o uso de tecnologias era visível, como a sarja de algodão com elastano, o tricô devorado, o mix de algodões, além dos básicos, como lã, seda e viscose. Na cartela de cores, os clássicos: preto, marrom, cinza e tons de azul.
Com certeza essa é uma coleção que pode, sem dificuldade nenhuma, sair da passarela e ir direto para a loja.


O steampunk, subgênero da ficção científica cujas obras são ambientadas em um passado que possui tecnologia do futuro; os “plague doctors”, médicos da época da praga que usavam máscaras com bicos, onde colocavam ervas aromáticas para disfarçar o cheiro dos doentes; e a ideia de que “todo príncipe tem seu monstro”, inspiraram João Pimenta para criar a única coleção dedicada apenas aos homens do dia.
Nos materiais, destaque para o uso de tecidos “sustentáveis”, tramados em teares manuais, com mistura de até seis fios, além de lãs comuns e frias, couro e tricolines. Os materiais ricos foram destaque na coleção que, ousada, não poderá ser vendida por inteiro, mas esses materiais se farão presentes nos pontos comerciais do estilista.
A alfaiataria clássica ganha novos ares com acabamentos arredondados e comprimentos variados. Na cartela de cores, contraste de escuros, como o marinho, o marrom, vinho, musgo e preto.

Lino Villaventura buscou nas imagens sombrias do pintor Francis Bacon a inspiração para a sua coleção de inverno. Na passarela, isso foi traduzido em tons escuros e formas que começavam mais contidas e no fim ganhavam mega volumes, construídos com anáguas enormes.
Nos materiais, o uso de muita seda, em forma de tafetá, organza, gaze e Jersey, além dela na forma natural e crepe de Chine, jacquard e linho. Destaque para as pregas palito (dobras pequenas, na espessura de palitos de dente), feitas artesanalmente pela equipe do estilista e dos bordados feitos à mão, que demonstravam a preocupação dele com o resultado final apresentado ao público.

Por hoje é isso. Amanhã voltamos com o último e derradeiro dia de São Paulo Fashion Week. Não queremos que acabe. #ComoFaz?

Beijos e abraços,

Douglas e Gabriela

Inverno 2012: SPFW, dia 4

Praticamente entramos (na triste) reta final da 32ª edição do São Paulo Fashion Week. Nesse quarto dia, com muita chuva em alguns momentos (aliás, como está chovendo essa semana!!!), fomos premiados com alguns ótimos desfiles.
Para abrir o dia, a Cavalera convidou todos para visitar a Estação da Luz. Logo na entrada, uma surpresa: duas dançarinas recepcionavam ao som de uma banda de jazz tocando ao vivo. Tudo muito lindo, tudo muito show. Na hora do desfile, foi impossível não temer que o escândalo da edição de verão se repetisse. Mas não, a grife veio contida, com bons looks, super comerciais.
Já na Bienal, Jefferson Kulig apresentou uma coleção com algumas peças bacanas, outras nem tanto. Tudo muito conceitual, mas nada que chamasse a atenção da platéia e nos fizesse desejar tudo. Fause Haten mostrou um show, com roupas lindas e glamurosas. Destaque para a trilha sonora, que contava com ele cantando Alcione.
O retorno de Juliana Jabour encheu os olhos de todos. Com seus tricôs super must have e seu conceito mais boho, a apresentação foi linda e ‘de sair usando’, como comentou uma moça qe estava na fila de trás da que eu estava.
Pra terminar, a Colcci. Impossível não falar no burburinho causado pelo ator Ashton Kutcher, que entrou mudo, saiu calado e não desfilou. Ele até concedeu entrevistas, mas dizem não ter sido nada simpático. O pior de tudo foi um grupo de blogueiras sentadas atrás da fila que eu estava, comentando que veriam ele na festa da grife. Não custa alimentar esperanças, né? Sobre a coleção, foi muito aproveitável, produzida com certa maturidade e bom uso de materiais (menos a maioria dos tricôs, que, na minha opinião, tinham um acabamento péssimo).
Vamos falar um pouco sobre cada grife?

Um dos melhores desfiles do dia (tá, o melhor!). A marca mostrou um amadurecimento muito grande do inverno passado para cá e aprimorou suas técnicas, incluindo materiais diferentes. Nada melhor do que o local escolhido (uma estação de trens) para representar o tema escolhido: faroeste urbano.
A coleção era em sua maioria em preto. Em alguns momentos, bordados iluminavam os looks. Além disso, azul, vermelho, cáqui e verde militar estavam na cartela de cores, sem falar nas estampas lúdicas, mega coloridas.
Jaquetas, paletós, calças, vestidinhos e camisetas seguiam bem o estilo urbano, raiz da Cavalera, e eram feitos em jeans com tratamento resinado, veludo lavado, molteom (que aparece bordado e recortado a laser), malha e renda.

Jefferson Kulig buscou inspiração em campos urbanos, ou seja, na tentativa de trazer o campo para a cidade, onde as únicas flores que sobrevivem são as “tecnológicas”. Isso resultou em flores e folhas sintéticas que foram aplicadas de forma artesanal nas roupas e acessórios.
O inverno leve do estilista contou com cores claras, como branco, bege, cáqui e pontos de rosa. As silhuetas pouco marcadas eram feitas com seda, couro sintético, musseline e organza.


Fause Haten se inspirou nos files de Elvis Presley dos anos 60 para criar sua coleção de inverno. A coleção foi luxuosa, com modelagens arrojadas e trabalhos bem feitos com materiais ricos, como sedas, rendas e peles (tanto as naturais quanto as sintéticas).
O inverno do estilista é trabalhado em verdes, preto e roxo, além de estampas tropicais (inspirada no filme que o rei do rock gravou no Havai), e nos paetês totais ou pontuais.
Uma coleção muito desejável e usável para as noites.


Um dos retornos que mais nos deixou felizes nos últimos tempos foi o da Juliana Jabour, que dessa vez veio inspirada no filme “Viagem a Darjeeling”, de Wes Anderson.
O longa se refletiu nas cores açafrão, preto, laranja, cinza mescla, nude e amarelo, comuns nos cenários tipicamente indianos, e na matéria prima, alfaiataria em crepe e em lã, georgete crepado, jacquard metalizado, linho bordado, tricô com lourex, tricô artesanal e tweed rústico com lures, refletindo o mobiliário rústico das cidades.
As silhuetas eram inspiradas nos anos 20 e 60 e os tricôs confortáveis e as jaquetas com tweed já se tornaram objetos de desejo.


Com muito atraso, a Colcci, comandada por Adriana Zulcco, abriu o desfile com Alessandra Ambrósio gravidissíma na passarela. A inspiração era o Oriente Express sofisticado e a coleção apresentou um avanço no uso de materiais e técnicas por parte da equipe.
Denim, tricôs artesanais (até demais e mal acabados), muito couro, sarja e tecidos de alfaiataria eram coloridos com marrons, caramelo, conhaque, verde militar, laranja, marinho, amarelo e rosa antigo.
Algumas calças eram feitas de couro e tinham shape justo. Toda a coleção contou com uma silhueta minimalista e cortes geométricos. Interessante o balanço entre formas amplas e secas e o uso das saias, que foram maioria e iam das midis e lápis às longas e plissadas.
O único problema do desfile foi seu foco, que desviou um pouco do principal público consumidor: os jovens.

Por hoje é isso. Amanhã voltamos com o quinto dia de SPFW!

Beijos e abraços,

Douglas e Gabriela