Ares urbanos: a beleza da arte de rua

Sabe aVirada Cultural? Para os desinformados, é um momento que algumas prefeituras, por exemplo as de SP e RJ, promovem para levar a cultura a seus cidadãos. São shows e intervenções feitas durante todo o dia. Pois é, acho isso o máximo. Pena que dure apenas 24 horas.

Mas existe uma forma de arte que não tem um período determinado para durar. Ela se eterniza no tempo. É a arte de rua que, muitas vezes, é confundida com pichação e vandalismo. Para começar, vamos diferenciar bem as duas coisas.

Pichação ou vandalismo é a sujeira feita por pessoas que não têm noção do que estão fazendo, querem apenas estragar o patrimônio. Já a arte de rua é feita visando a melhorar a aparência do local onde é realizada.

Dito isso, vou voltar no tempo. Mais precisamente, ao tempo em que vivi em Nova York. Lá esse tipo de intervenção é super comum, você vê em qualquer esquina alguma coisa. E não é qualquer coisa. São artistas de verdade, mas que muitas vezes são reprimidos pela segurança da cidade e enfrentam verdadeiras maratonas para realizar o trabalho, como fazer apenas à noite ou criar esquemas para driblar as autoridades, como se fossem criminosos.

Por lá os exemplos são vários. O meu preferido é o de um cara que usa giz, o mesmo de quadro negro, pra reproduzir a sombra projetada pelos objetos. Por exemplo, se à noite ele tá passando na rua e vê a sombra de um poste, ele monta um cenário com algumas coisas, por exemplo, a sua bike, e reproduz tudo com o giz. Embora seja o máximo, a duração é super pequena, afinal, não tem como fixar a pigmentação que sai com o desgaste natural, como clima e pessoas que passam caminhando por cima.

Minhocão vira espaço para obra de arte

Voltando ao Brasil, em SP, lá por 2009, o artista plástico Felipe Morozini se uniu a mais 28 pessoas e pintou com cal, flores e pássaros no Elevado Costa e Silva, mais conhecido como Minhocão. A “obra de arte” se chamou “Jardim Suspenso da Babilônia”, virou um curta e até concorreu ao Babelgum, um prêmio em NY.

Segundo Felipe, ele, que mora nos arredores, num apartamento herdado de sua avó, fez isso para dar mais beleza a uma das partes de SP que via todos os dias e que mais gosta.

Os prédios vistos da Margina Tietê

Há alguns meses o que vem chamando a atenção de quem passa pela Marginal Tietê são alguns prédios inteiros pintados com grafite. O trabalho foi feito pelos artistas Raul Zito, Magrela, Sola e Sinhá, e fazem parte do Projeto Retratos Coletivos, criado por eles.

Um dos desenhos foi composto usando os nomes dos moradores do edifício em que foi pintado. A obra foi aprovada por quem mora nos prédios e também por quem passa pelo local. É o caso da patroa de uma das moradoras, que faz questão de levá-la para casa apenas para poder admirar as pinturas.

A Prefeitura Municipal de São Paulo tem o Programa de Valorização de Iniciativas Culturais, o VAI. Esse projeto visa a financiar atividades artístico-culturais de jovens de baixa renda da cidade. Uma boa oportunidade para quem quer mostrar a sua arte e não tem grana para isso.

Eu, como admiradora, fico mais do que feliz em ver esse tipo de iniciativa por ai. E não vejo a hora de ver coisas do tipo pipocando Brasil a fora. Viva a arte de rua – desde que seja feita com consciência!

Ceglia; Erika

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